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Josimar Salum

Fico profundamente maravilhado hoje ao perceber como perdemos a simplicidade da revelação do Evangelho quando passamos a nos ocupar com coisas altas demais para nós.

Quando levantamos o coração para além da medida, deixamos de depender e passamos a tentar alcançar. E, nesse caminho, trocamos a revelação pelo esforço e a obediência pelo raciocínio.

Buscamos exercitar a mente onde deveríamos aprender a ouvir. Tentamos compreender onde deveríamos nos tornar como crianças. Queremos dominar o que só se recebe. E então percebo que o que Jesus disse continua acontecendo: essas coisas permanecem ocultas aos sábios e entendidos, mas são reveladas aos pequeninos. Não mudou. Ainda é assim hoje.

Deus continua ocultando, não por crueldade, mas por fidelidade ao Seu próprio caminho. Ele não se revela a quem confia em si mesmo, mas àquele que se faz pequeno. A revelação não é prêmio para os capazes, mas dádiva para os dependentes. Quem se julga sábio passa adiante. Quem se sabe pequeno para e recebe.

Também fico pasmo ao constatar como cheguei a acreditar em ideias tão imbecis, achando que estava “avançando no conhecimento”, quando, na verdade, apenas me afastava da verdade. Eu pensava que abafava… mas só inflava. Enchi a cabeça e esvaziei o coração. Ganhei explicações e perdi o espanto.

Passei então a perceber algo simples e desconcertante: quando leio o Evangelho e consigo explicar tudo apenas pela lógica que já mantenho ou quando digo que “entendi tudo” na verdade, não entendi nada. Porque aquilo que se entende sem quebrantamento não é revelação. O Evangelho não se ajusta ao meu entendimento; sou eu que preciso ser ajustado por ele.

As coisas que procedem do Espírito só podem ser discernidas pelo Espírito. Não entram pela inteligência, nem se submetem ao raciocínio. São vistas quando o coração se curva. O sábio tenta compreender; o pequenino simplesmente recebe. Um pergunta “como”; o outro apenas segue.

Oh! Que descoberta! Dá até para rir de mim mesmo. O óbvio esteve diante de mim o tempo todo, mas permaneceu oculto enquanto eu insistia em ser entendido. O caminho nunca foi saber mais, mas tornar-me menor.

É assim que penso agora meio babando mesmo, coisa de sanatório, diante da graça de finalmente perceber o óbvio que antes me escapava. Não porque fiquei mais inteligente, mas porque, pela misericórdia de Deus, fiquei menor.

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