Por que um Filho de Deus não deve transformar o Evangelho em um negócio e por que um pregador que faz isso se torna um mercenário
Josimar Salum
Um filho de Deus que deseja ganhar dinheiro não pode pensar nem agir como pregador, mas como empresário. Contudo, quando um pregador passa a pensar e agir como empresário, ele se torna um mercenário.
Embora o dinheiro possa ser necessário para a vida prática, Jesus nunca disse que o dinheiro é necessário para o ministério em si. Por essa razão, os servos do Senhor devem distinguir entre provisão para a vida e dependência no ministério, trabalhando quando necessário, mas nunca transformando o Evangelho em um empreendimento financeiro.
Jesus nunca ensinou que o dinheiro é o fundamento ou a necessidade do ministério. Quando enviou Seus discípulos, Ele deliberadamente os instruiu a não levar dinheiro, provisões ou segurança financeira, deixando claro que a obra do Reino não avança por meios econômicos, mas pela obediência e pela confiança no Pai. A dependência deles não deveria estar em recursos, salários ou estruturas, mas na provisão de Deus enquanto eram enviados.
Ao mesmo tempo, as Escrituras não negam as necessidades práticas da vida diária. Jesus reconheceu que as pessoas precisam de alimento, vestuário e abrigo, mas distinguiu claramente essas necessidades da base do ministério. Ele ensinou que os servos de Deus devem buscar primeiro o Reino, confiando que o Pai conhece suas necessidades e proverá para elas. Provisão para a vida, portanto, não é o mesmo que dependência no ministério.
O testemunho apostólico confirma essa distinção. Embora o Senhor tenha afirmado que o trabalhador é digno do seu alimento, os apóstolos jamais trataram o Evangelho como um meio de renda.
Paulo declarou explicitamente que tinha o direito de receber sustento, mas escolheu não usar esse direito, para que o Evangelho não fosse impedido nem comercializado. Em vez disso, trabalhou com as próprias mãos para suprir suas necessidades pessoais, enquanto anunciava o Evangelho de forma gratuita e sem cobrança.
Esse padrão revela um princípio bíblico claro: o trabalho pode sustentar o servo, mas jamais deve financiar ou dirigir o ministério. Quando o dinheiro se torna a força organizadora do ministério, o Evangelho é reduzido a um produto, e o servo é transformado em mercenário. O próprio Jesus advertiu contra essa mentalidade, contrastando o mercenário, que serve por interesse, com o verdadeiro pastor, que dá a vida pelas ovelhas.
Portanto, embora o dinheiro possa ser necessário para a vida prática, Jesus nunca disse que o dinheiro é necessário para o ministério em si. O avanço do Reino depende de obediência, fidelidade e provisão divina, e não de estratégias financeiras. Os servos do Senhor podem trabalhar quando necessário, mas jamais devem transformar o Evangelho em um empreendimento financeiro, pois o Reino de Deus não se move por dinheiro, mas pela autoridade e pela vida de Cristo.
