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O amor, na narrativa bíblica, nunca é um sentimento raso ou apenas emoção passageira. Ele é decisão, entrega, renúncia e coragem. É um amor que atravessa gerações, muda destinos e revela o caráter de Deus por meio de pessoas imperfeitas, mas dispostas.
O amor de Abrão a Deus se manifesta de forma extrema e silenciosa. Ao subir o monte com Isaque, seu filho da promessa, Abrão não caminha movido por crueldade, mas por confiança absoluta. Ele ama a Deus acima de tudo e, paradoxalmente, é esse amor que revela o quanto também ama o filho. Abrão crê que Deus é fiel, mesmo quando não compreende o caminho. Seu amor não exige explicações; ele obedece, confiando que o Deus que promete é o Deus que provê.
O amor de Rute é de outra natureza, mas não menos profundo. É o amor que permanece quando não há obrigação. Viúva, estrangeira e sem garantias, ela decide não abandonar Noemi, sua sogra, dizendo palavras que atravessam os séculos: “O teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus.” O amor de Rute não busca vantagens; ele escolhe caminhar junto, repartir a dor e reconstruir a esperança. Esse amor fiel a insere na história da redenção, fazendo dela parte da linhagem do Messias.
Raabe revela um amor marcado pela sobrevivência e pela coragem. Em meio a uma realidade dura, suas escolhas visavam proteger sua família. Mas, ao ouvir sobre o Deus de Israel, algo muda em seu interior. Seu amor pela vida dos seus a leva a um ato de fé ousado: proteger os espias israelitas, arriscando a própria existência. Raabe ama a ponto de confiar em um Deus que ainda não conhecia plenamente, e esse amor misturado à fé a salva e a faz também integrar a história do povo de Deus.
O apóstolo Paulo, na carta aos Coríntios, eleva o amor ao seu significado mais pleno. Para ele, o amor não é apenas um gesto heroico ou uma decisão pontual; é um modo de viver. O amor é paciente, é benigno, não se vangloria, não busca seus próprios interesses. Paulo nos lembra que dons, conhecimento e até grandes feitos perdem o sentido quando não são movidos pelo amor. O amor é eterno, permanece quando tudo o mais passa.
Poderíamos ainda lembrar de Ana, que amou a Deus a ponto de devolver-Lhe o filho que tanto esperou; de José, que amou ao ponto de perdoar os irmãos que o traíram; e, acima de todos, de Jesus, que amou até o fim, entregando a própria vida por aqueles que nada tinham para oferecer em troca.
Assim, o amor bíblico não é confortável. Ele custa, confronta, exige fé e, muitas vezes, lágrimas. Mas é esse amor que transforma histórias, reconstrói vidas e revela, em cada gesto humano, o reflexo do amor perfeito de Deus.

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