O Santos da Copinha entrou em campo e resolveu o problema como gente jovem resolve tudo hoje em dia: rápido, direto e sem pedir opinião. Quatro gols, jogo resolvido, banho tomado e janta cedo. Eficiência juvenil.
Já o Santos do Paulistão… bem, o profissional está mais para um seminário permanente sobre “processo”. Muito diálogo, muita reflexão, muita posse de bola com propósito filosófico. O adversário agradece e, enquanto isso, faz o gol.
É curioso observar: os meninos da base jogam como se o futebol fosse simples. E é aí que está o erro. Futebol não pode ser simples. Futebol precisa de drama, de coletiva explicativa, de gráfico de desempenho que ninguém entende. Os garotos ignoram tudo isso. Falta maturidade.
Na Copinha, o Santos joga como quem tem boletos emocionais pra pagar. No Paulistão, joga como quem já quitou tudo e agora só quer administrar o patrimônio — mesmo que o patrimônio esteja caindo de valor.
Os peixinhos não ficam tocando a bola de lado pra “controlar o jogo”. Eles controlam o placar, que é uma forma mais antiga — e estranhamente eficaz — de controle. Já o time profissional prefere controlar a narrativa: “jogamos bem, faltou detalhe”. Detalhe esse que costuma entrar no próprio gol.
Talvez esteja na hora de uma reciclagem pedagógica no CT. Não técnica, mas existencial. Colocar os profissionais para assistir aos jogos da base e aprender conceitos revolucionários, como:
chutar quando dá,
correr quando precisa,
ganhar quando pode.
Porque hoje a hierarquia está invertida:
o Santos grande anda pequeno, e o pequeno anda enorme.
No fim das contas, fica a lição que dói mais:
não é a camisa que pesa, é o conformismo.
E, por enquanto, quem está honrando o peso da camisa são os que ainda não têm patrocínio estampado nas costas — só vontade.
Se continuar assim, o Santos vai ter que admitir o impensável:
o futuro joga melhor que o presente.
E não pede licença.
