BOM DIA!
No silêncio quente do meio-dia, junto ao poço de Jacó, acontece um dos encontros mais transformadores das Escrituras. Yeshua, cansado da caminhada, senta-se à beira do poço. A mulher samaritana se aproxima apenas para buscar água, mas carrega consigo algo muito mais pesado: o peso da rejeição, da culpa e de uma vida marcada por olhares tortos e julgamentos silenciosos.
O primeiro impacto vem com a voz. Quando Yeshua lhe pede água, ela se assusta. Não era comum um judeu falar com uma samaritana, muito menos com uma mulher. Sua reação inicial é de estranhamento e defesa. Ela questiona, mede as palavras, tenta entender por que alguém que, socialmente, não deveria vê-la, agora a enxerga.
À medida que a conversa avança, a desconfiança dá lugar à curiosidade. Quando Yeshua fala de uma “água viva”, algo desperta dentro dela. Sua reação muda: já não responde apenas com lógica, mas com desejo. “Senhor, dá-me dessa água.” É o grito silencioso de quem está cansada de voltar todos os dias ao mesmo poço, à mesma rotina, à mesma sede que nunca se sacia.
O momento mais delicado vem quando Yeshua toca em sua história. Ele revela aquilo que ela tentou esconder do mundo. A reação não é fuga. Não é revolta. É espanto. Pela primeira vez, alguém conhece sua verdade e não a condena. Diante disso, ela não se fecha; ela se abre. Reconhece que está diante de alguém diferente, alguém que vê além das aparências. “Vejo que és profeta.”
Então acontece a virada. A mulher que chegou sozinha, evitando pessoas, agora corre para a cidade. A mesma que vivia à margem se torna mensageira. Sua reação final é ousada, corajosa, cheia de vida: ela anuncia. “Vinde ver um homem que me disse tudo o que tenho feito.” Não há vergonha em suas palavras, apenas testemunho. A verdade que antes a prendia agora a liberta.
O encontro com Yeshua não apenas saciou sua sede espiritual, mas devolveu sua voz, sua dignidade e seu lugar. A reação daquela mulher é o retrato de toda alma que, ao ser verdadeiramente vista e amada, não consegue mais permanecer a mesma. Quem encontra a Água Viva nunca volta ao poço do mesmo jeito.
