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Na cultura judaica do primeiro século, as vestes não eram apenas roupas que protegiam do sol e do frio; carregavam também identidade, tradição e fé. Yoshua, como judeu fiel à Torá, usava a túnica simples e o manto tradicional, conhecido como tallit ou manto de oração. Nas extremidades desse manto havia as tzitzit – franjas ordenadas por Deus a Moisés em Números 15:38-39, como lembrança para o povo viver em santidade, guardando os mandamentos do Senhor.

É justamente essa orla, ou franja do manto, que ganha um lugar central em uma das cenas mais emocionantes do Evangelho. Uma mulher, marcada pela dor e pela exclusão, sofria há doze anos de um fluxo constante de sangue. Segundo a Lei, sua condição a tornava “impura”, o que a afastava da vida social, religiosa e até familiar. Sua dor não era apenas física: era também espiritual e emocional.

Movida por fé e desespero, ela se aproximou de Yoshua em meio à multidão. Sabia que, segundo a Lei, não deveria tocar em ninguém, muito menos em um mestre. Mas sua confiança era maior que o medo. Com humildade, ela não buscou atenção nem palavras, apenas estendeu a mão e tocou a orla do manto. Esse gesto continha um significado profundo: tocar nas franjas era, de certa forma, tocar na lembrança viva das promessas de Deus, no símbolo da aliança e da autoridade divina.

No mesmo instante, o milagre aconteceu. A hemorragia cessou. O que a medicina não pôde resolver em doze longos anos, a fé em Yoshua curou em um único toque. Ele, percebendo a virtude que saíra d’Ele, não deixou o gesto passar despercebido. Perguntou: “Quem me tocou?” Não para expô-la, mas para dar-lhe dignidade, restaurar sua voz e mostrar a todos que sua fé a tinha salvado.

A orla do manto, simples pedaço de tecido, tornou-se testemunha do encontro entre a fragilidade humana e o poder divino. O que para os olhos naturais era apenas uma franja, para aquela mulher representava esperança, fé e vida nova.

Hoje, essa cena nos recorda que, por mais que carreguemos nossas dores e exclusões, há sempre uma orla de graça ao alcance da nossa fé. Não precisamos abraçar o Mestre inteiro para sermos restaurados; basta um toque sincero, cheio de confiança, para que a vida volte a pulsar.

Reflexão final:
A orla do manto de Yoshua nos ensina que os símbolos da fé, quando tocados com coração puro, se tornam pontes entre o céu e a terra. Assim como aquela mulher foi curada, também nós podemos ser alcançados pela graça, mesmo em nossos momentos mais ocultos e silenciosos.

Alan Ribeiro
Shalom! Shalom!

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